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                  DOSSIÊ DA INCLUSÃO

 

 

Quando se fala em inclusão, dentro das insituições escolares, logo vem as discuções sobre as dificuldades para atender alunos com necessidades educacionais especiais.

Lembro que em 1999, ao trabalhar numa Escola de Educação Infantil, em Porto Alegre, tínhamos um aluno com paralisia cerebral. As dificuldades eram muitas, pois o aluno não se locomovia, não falava, somente gritava quando estava se sentindo incomodado, necessitava de auxílio para, literalmente, tudo. Apesar de ser uma escola particular , bem conceituada , muitos pais não demonstravam-se a vontade em ter junto de seus filhos uma criança com tais problemas. Porém a escola sempre dava o máximo de atenção a esse aluno, estimulando-o, respeitando seus limites, mas sem nunca deixá-lo "num canto atirado", o que é muito comum em casos desses.

Na mesma escola no próximo ano, tivemos um outro aluno com uma doença rara, que não estou certa do nome, agora, mas que causava atrofiamento dos músculos e ossos, o que o impedia de caminhar. Era muito interessante, a família, por ser muito humilde, não adquiriu cadeira de rodas, por isso ele aprendeu a se locomover arrastando-se pelo chão. Era uma criança muito inteligente, fazia muitas coisas que deixava-nos perplexas. Ele ficava nessa escola à tarde porque recebera uma bolsa, e pela manhã recebia atendimento especilizado na APAE. Confesso que ficava por vários instantes pensativa observando essas duas crianças, admirando seus esforços, suas dificuldades, suas superações.

Eram duas crianças com vidas tão distintas, num mesmo meio, por algumas horas do dia. O primeiro de classe média, a família sem motivação para auxiliá-lo, sem expectativa de mudança do quadro. Acreditando que o menino não ouvia, mesmo depois de relatos das professoras de situações que contrariavam as suspeitas dos mesmos.

Já o segundo, um menino de classe bem baixa, porém com uma mãe que fazia todo esforço possível para que ele evoluísse a cada dia. Sempre atrás de pessoas e informações que viessem ao auxílio do filho.

Hoje, após essas lembranças, penso como estarão essa crianças, que hoje já são jovens adultos, com 18 ou 19 anos de idade.

Outro caso, que já me referi no Fórum, foi de um aluno que tive no ano de 2005, cadeirante, que por falta de auxílio para usar o banheiro, usava e ainda usa fraldas. Um menino com um sorriso "amarelo", que pouco fala, mas expressava muito bem sua angústia, em desenhos e produções textuais, quando representava-se algumas vezes caminhando ou até voando.

No comentário que fiz falei sobre a reclamação, inclusive dos professores do mau cheiro, em função das fraldas que ele usava.

Nessa escola, ele enfrentava várias dificuldades de locomoção, mesmo com a cadeira, pois rampa, só existia e existe até hoje, na entrada principal da mesma. Para se dirigir ao refeitório, contava com a ajuda de seus colegas que sempre mostravam-se interessados e atentos a ajudá-lo. No entanto, nunca pode frequentar a Biblioteca, que fica no segundo andar, nem tão pouco o Laboratório de Ciências. O pior é que nunca vi ninguém pensando nada em função desse aluno, como mudar alguma sala, construir rampas, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UNIDADE 2: 

 

POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E O

 

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA 

 

Trabalho na escola municipal Alzira Silveira Araújo, no município de Cachoeirinha que atende alunos do 1º ano do ensino dos 9 anos a EJA.

 

 

A rede de Cachoerinha busca cada vez mais promover a inclusão, oferecendo às escolas de ensino regular, monitoras para as turmas que possuam alunos com necessidades educativas especiais,além dos serviços especializados como as Salas de Integração e Recursos (SIR), que visa auxiliar os alunos incluídos nas dificuldades encontradas durante sua estada na escola. Este é um serviço de apoio ao trabalho dos professores, porém não substitui o trabalho da escola.

As escolas da rede de Cachoeirinha  têm ainda o apoio do projeto CATAVENTOS que acompanha a cinco alunos com dificuldades de aprendizagem, multi repetentes. Esse projeto ocorre em encontros periódicos, fora da escola.

 

 

 

A Resolução CNE/CEB Nº2, de 11 de fevereiro de 2001, Art. 2º diz que:

 

“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.”

 

 

Entendo que a rede ainda tem uma longa caminhada para alcançar o ideal de educação inclusiva, mas, aos poucos vai melhorando a qualidade no atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais. Temos um aluno cadeirante e um com diagnóstico médico de retardo leve.

Já é prática da secretaria de educação de Cachoeirinha oferecer formação aos professores através de seminários, palestras, cursos visando a educação inclusiva.

 

 

 

 

UNIDADE 3

SERVIÇOS EDUCACIONAIS ESPECIALIZADOS DE CACHOEIRINHA

 

 

O município de Cachoeirinha oferece cinco Salas de Integração e Recursos (SIR), sendo duas

para atender aos alunos do ensino fundamental, uma para os alunos da Educação Infantil e 1º ano, uma para atendimento aos alunos com deficiência visual e uma destinada aos alunos com deficiência auditiva.

Cada uma dessas salas atende em média de vinte a trinta alunos.

Existe também no município de Cachoeirinha o Projeto de Psicomotricidade Relacional.

Esse pojeto dispõe de uma sala de recursos e convênio com uma academia de ginástica que possue piscina térmica.Esse atendimento se dá após triagem e avaliação de psicomotricistas. Atende a quarenta e quatro alunos da rede municipal. 

Outro serviço oferecido na rede de Cachoeirinha é o CIAN, um centro informatizado que atende alunos com deficiência mental e do EJA. Trabalham  com jogos matemáticos, formação de frases, etc. Este é um centro de informática criado para dar apoio àquelas escolas que não possuam laboratório (de informática).

 

 

 

UNIDADE4

ESTUDO DE CASO

 

O aluno escolhido por mim para o estudo de caso, estuda na escola estadual Dr. Luiz Bastos do Prado, de Gravataí, o qual chamarei aqui de Júnior. Ele tem 18 anos de idade. Tem Síndrome de Down, e está na 5ª série do ensino fundamental.

Júnior é um aluno muito comunicativo, alegre, cativante. Seu desempenho escolar é avaliado da mesma forma que os demais colegas da classe, com provas, trabalhos, tudo respeitando seus limites, claro.

Mesmo sendo comunicativo, percebe-se que uma de suas maiores dificuldades é na fala. Demonstra-se impaciente quando não é compreendido por alguém.

Sua família é bastante simples, de nível socioeconômico baixo, porém bastante interessada em seu desenvolvimento. O aluno tem acompanhamento de fonoaudióloga, semanalmente, faz aulas de capoeira, participa de um grupo de jovens de sua igreja, e na escola, sempre está integrado em todas as atividades que são propostas. Seu pai é comerciante e a mãe secretária. Ele é o único filho do casal.

A mãe conta que foi um susto quando souberam, após o parto que o filho tinha a síndrome. No entanto, hoje acredita que o filho é uma "benção de Deus", pois sentem-se muito felizes e realizados com seu "herdeiro".

A mãe conta que nos primeiros anos de vida de Júnior, foi bastante difícil para todos, pois além da inexperiência, tinham mais dificuldades financeiras do que possuem hoje. Ela relata que desde cedo decidiu estimulá-lo, já que acreditava que ele poderia viver como as outras crianças ditas "normais".

Lembra que fazia muitas brincadeiras, incentivava-o a falar sempre, dava-lhe muito carinho e atenção, e nunca deixava de acreditar na sua capacidade, no seu potencial, segundo ela.

Na escola, o aluno é bastante educado adora esportes, joga futebol  e basquete com bastante desenvoltura, e adora cantar. Frequentemente ouve-se sua voz nos corredores cantarolando seu ritmo preferido: funk.

É notável o despreparo da maioria dos professores que  para não "perder tempo" de suas aulas, pouco lhe dão atenção, tratando -o algumas vezes, como mero espectador, sem estimulá -lo a interagir com o grupo.

Retomando meu Dossiê, volto a relatar sobre o "Júnior". Ele completou 19 anos no mês passado, e conseguiu trabalho em um supermercado de Cachoeirinha.

Relatou que está muito contente, pois estuda para ter um bom futuro, segundo ele.

Disse que se sente tão capaz quanto qualquer um dentro da sua escola e de seu trabalho.

Sua mãe nos contou que ele quer muito uma namorada, mas que percebe o preconceito das meninas com relação às suas "deficiências".

Conversei com duas de suas professoras que disseram que ele não tem um desenvolvimento muito satisfatório, e insistem que ele deveria estar numa escola especial, pois a nossa não tem nenhum suporte para dar um atendimento adequado ao aluno.

Uma das professoras contou-me que ele gabaritou uma prova de Matemática, que a deixou perplexa. O que teria acontecido? Ele afinal aprendera tudo que havia na prova?

Depois a constatação: ele havia colado toda a a prova.

Isso chamou muito a atenção da professora, que relatou no conselho de classe que Júnior precisa de um acompanhamento de algum especialista, já que a família alega que não pode mais proporcionar nenhum atendimento especial, porque não possui condições financeiras para custear.

Outra professora concordou quando comentei que a escola não oferece o mínimo de atenção necessária ao aluno com necessidades especiais, pois já tivemos alunos cadeirantes que tiveram que sair da escola em razão das dificuldades encontradas, em todos os sentidos, como a locomoção, a ida a banheiros e demais dependências ( a escola tem dois andares). Além disso, os alunos com dificuldades de aprendizagem em função de paralisias cerebrais ou outras doenças, também são tão "excluídos" que acabam saindo, causando um alívio à maioria dos profissionais.

 

 

UNIDADES 5 - 6

 

Retomando os relatos do Dossiê! Conversei com a mãe de Júnior, que esclareceu- me algumas dúvidas sobre a caminhada desde que o filho nasceu.

 

A mãe contou que nos primeiros anos de vida do menino, a situação era mais difícil, pois ele sofre de Cardiopatia Congênita. Eles precisavam ir muitas vezes ao médico, gastavam bastante, e mesmo assim ela teve que ficar sem trabalhar para cuidar do filho.

 

Como já relatei antes, hoje a mãe trabalha, assim como Júnior e a situação da família está bem mais fácil. Desde o mês passado ele está recebendo atendimento psicológico novamente, pois a mãe está bastante preocupada com a sexualidade que segundo a supervisora da escola está muito "aflorada". Isso tem chamado a atenção da maioria dos professores e colegas.

 

Como já referi -me várias vezes sobre seu comportamento, ele é um jovem calmo, carinhoso, educado, mas está demonstrando insatisfação por não conseguir arrumar namorada. Reclama que as colegas não gostam que ele chegue perto delas, o que o deixa bastante triste.

 

Procurei saber como eram feitas avaliações de suas aprendizagens na escola, e descobri o que já sabia. A ele são ofertadas as mesmas avaliações do restante da turma. O que muda é que se leva em consideração o avanço no seu desenvolvimento para aprová-lo ou não.

 

Já está decidido pelo conselho, este ano ele terá que reprovar, pois segundo a maioria ele não conseguirá acompanhar a série seguinte.

 

UNIDADE 7

CONCLUSÕES 

A Educação Especial, principalmente nas escolas de ensino regular, e públicas, está longe de ser o que teóricos nos trazem e as leis garantem.

É muito comum, pois virou moda, pessoas ligadas à Educação, dizerem que em suas escolas ocorrem a inclusão, no entanto, o que se vê é que apenas se aceita alunos com deficiências, talvez por causa da obrigação legal. 

Incluir verdadeiramente seria, no caso por exemplo do aluno Júnior, oferecer atenção a este, não de forma individual, mas de forma coletiva, participativa, observando suas habilidades, avaliando-o com um parecer descritivo, pelo menos, ao invés de um número que não demonstra nenhum registro do desenvolvimento de qualquer aluno, quanto menos de um que necessite um olhar diferenciado, como é o caso dele.

Inclusão não é só aceitação, é  tornar parte integrante do grupo, de maneira respeitosa e consciente, cada indivíduo, independentemente de suas dificuldades ou deficiências.

Comments (8)

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Graciela Rodrigues said

at 10:13 pm on Sep 29, 2009

Olá Silvana! Tens até a unidade 3 pronta. Vamos dar continuidade, estamos aqui para te auxiliar.
Bjs

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Graciela Rodrigues said

at 1:37 pm on Oct 18, 2009

Oi Silvana! Li sua postagem relativa a unidade 4. Gostaria que observasse a escrita de "possue". Outra questão a partir de agora todas suas postagens fossem identificadas por unidades ok? Conforme você iniciou seu dossiê.
Abraços

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Graciela Rodrigues said

at 11:00 pm on Oct 21, 2009

Olá Silvana!
Verifiquei que atendeste as observações!
Bom trabalho, bjs

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Graciela Rodrigues said

at 11:42 am on Oct 26, 2009

Olá Sil!
Aguardo as unidades 5 e 6 .
Bom trabalho

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Graciela Rodrigues said

at 1:54 pm on Nov 12, 2009

Faltam as unidades 5,6 e 7, procures concluir ok?
Bjs

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Silvana Santos Martinez said

at 9:57 am on Nov 15, 2009

Oi Graciela!
Logo pretendo concluir as unidades pendentes.
Obrigada pela atenção. Abraço. Silvana.

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Graciela Rodrigues said

at 7:47 pm on Nov 28, 2009

Olá Silvana!
Suas unidades 5 e 6 abordam brevemente o diagnóstico inicial do aluno e o acompanhamento que ele está realizando. Sobre os movimentos da Escola percebo através do seu relato que ocorre mais no contexto de avaliativo do que nas demais situações escolares que também deveriam ser consideradas. Sua atividade contemplou as questões propostas. Abraços!

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Graciela Rodrigues said

at 7:53 pm on Nov 28, 2009

Apresentas interessantes reflexões na unidade 7 sobre o que tu concluiste com relação a inclusão escolar, nosso desafio é ir além do cumprimento de uma legislação, entender o espaço escolar como potencializador de aprendizagem para diferentes alunos que tem direito a este acesso. Gostaria que você complementasse esta unidade buscando aproximação destas suas reflexões com o estudo de caso realizado. Aguardo, bom trabalho!

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